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Pessoas que inspiram: bell hooks


Fundo preto, à esquerda foto em preto e branco da autora bell hooks (pele negra, cabelos pretos presos, usa uma blusa decote v escura e uma manta estampada com formas de losangos), com o escrito "Pessoas que inspiram: bell hooks" centralizado em branco e fotos das capas dos livros "Tudo sobre amor e "Erguer a voz" à direita

bell hooks foi uma escritora, professora, ativista antirracista e feminista afro-americana, que durante sua vida publicou mais de 40 livros que permeiam assuntos como a educação, o afeto e as interações entre classe, raça e gênero. Em suas obras buscava tratar questões complexas de forma acessível sem esbarrar no simplório ou raso e, também, apontar a interseccionalidade entre os temas e opressões por ela abordados, criando assim o conceito patriarcado imperialista da supremacia capitalista branca (que tu pode entender mais sobre nessa fala dela).

fundo preto com retângulos de contornos brancos, ao centro se tem escrito "Trabalhar em comunidade, seja compartilhando um projeto com outra pessoa, seja com um grupo maior, podemos experimentar alegria na luta. Essa alegria precisa ser documentada, pois se nos concentrarmos apenas na dor, nas dificuldades que certamente são reais em qualquer processo de transformação, mostramos apenas um quadro parcial. - bell hooks"
citação retirada do texto "O amor como ato de liberdade" de bell hooks com tradução de Thiago Pinho

Seu nome de nascença era Gloria Jean Watkins, uma jovem extremamente curiosa que nasceu e cresceu no sul do Estados Unidos durante o período de secregação racial, o que gerara experiências a ela que serviram como base para sua escrita no futuro. Ela se torna bell hooks (nome todo em minuscúlas para que suas ideias falassem mais alto que seu nome) como forma de honrar e homenagear a sua bisavó Bell Blair Hooks, uma mulher conhecida pelo seu gênio forte e por falar livremente o que pensava.

Sua paixão pelo conhecimento e estudo teve altos e baixos durante a sua vida. Quando criança ainda na escola segregada, hooks acreditava que a escola era um ambiente maravilhoso onde suas professoras negras a acolhiam e incentivavam o desenvolvimento do conhecer. Quando vai para o ensino médio, já não mais segregado, essa visão muda completamente ao ter que se deparar com professores que não a enxergavam como um ser capaz da aprendizagem e que reproduziam sobre ela e outros alunos negros racismo sistêmco (ALMEIDA, 2021).

fundo preto com retângulos de contornos brancos, ao centro se tem escrito "No momento em que escolhemos amar, começamos a progredir contra a dominação, contra a opressão. No momento em que escolhemos amar, caminhamos rumo à liberdade, agimos de forma a nos libertarmos e aos outros. Essa ação é o testemunho do amor como ato de liberdade. - bell hooks"
citação retirada do texto "O amor como ato de liberdade" de bell hooks com tradução de Thiago Pinho

Mesmo com as adversidades enfrentadas, bell hooks continuou seus estudos, se graduando em língua inglesa em 1973, se tornando mestre em 1976 e doutoura em literatura em 1983. Durante esse período ela começou a lecionar em universidades e lançou seu primeiro livro "E eu não sou uma mulher? Mulheres negras e o feminismo" (1981) cujo o título faz referência a uma frase de Sojourner Truth (abolicionista e ativista pelos direitos das mulheres negras que viveu no século XIX) e trata sobre as experiências das mulheres negras durante o período da escravidão, a desvalorização da mulheridade negra, o sexismo, o imperialismo do patriarcado, a relação entre racismo e feminismo e como as mulheres negras se envolvem com o feminismo.

Já em 1994, ela lança "Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade" no qual ela aborda, apoiada nas ideias do escritor e educador brasileiro Paulo Freire, a educação trazendo a perspectiva do "[...] estudo como um ato contra-hegemônico" (SANTOS, 2021) e de resitência contra um sistema racista e colonizador. No livro, a autora usa suas experiências como aluna e docente para traçar formas do que ela chama de uma educação para libertar.

capas dos livros "e eu não sou uma mulher? Mulheres negras e feminismo" e "Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade" de bell hooks

Nos anos seguintes ela lança livros que tratam sobre feminismo, educação, críticas culturais - como "Olhares Negros: raça e representação" (1992) - e relações de afeto e espiritualidade - tal qual "Tudo sobre o amor: novas perspectivas" (2000), sempre tratando sobre esses assuntos atrevessando os viéses de raça, classe e gênero e buscando trazer um olhar decolonizador a eles.

Infelizmente, a autora nos deixou no final de 2021, aos 69 anos. Nos resta ler e absorver as ideias de hooks para, assim, questionar sempre a nossa realidade e os conceitos que nos foram ensinados a fim de buscar uma coletividade mais justa e afetuosa.


Para conhecer mais

- fontes -

ALMEIDA, Mariléa de. bell hooks. in: blog de ciência da Universidade Estadual de Campinas: mulheres na filosofia. V.7, n.2, 2021, p.21-33. disponível aqui.

ALMEIDA, Mariléa de. Podcast Matéria Bruta - Episódio 44: Conheça bell hooks. 2021. Disponível aqui.

HOOKS, bell. O amor como ato de liberdade. in: Anãnsi: revista de filosofia, Salvador, V.2, n.2, 2021. Disponível aqui.

______. Speaking Freely - Entrevista com bell hooks. 2002. disponível no youtube.

SANTOS, João Raphael Ramos dos . Ensinando a Transgredir - bell hooks: O AFROLITERATO. disponível no youtube.

OLIVEIRA, Jacqueline. Resenha "E eu não sou uma mulher?". 2019. Disponível aqui.

SANTOS, Evilânia.O pensamento de bell hooks. Canal TV boitempo. 2021. Disponível no youtube.




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